50 anos, húngaro
e 12 anos de profissão. Nunca estudou e não tem família. Sua religião católica
não diz muito sobre ele, diz ser mais um dos muitos católicos na Europa
ocidental. Gosta muito de criar e de viajar, por isso escolheu essa profissão.
Além disso, traz dinheiro. Não muito, mas o suficiente para ter uma vida
simples. Não me disse quanto, só que depende do dia e da quantidade de
turistas. Criar arte sempre foi o seu sonho, não pensou em fazer outras coisas.
Criou sua própria fantasia, seu banco, seu jornal e seu cachorro de jornais japoneses. A máscara de jornal tem uns furinhos e um óculos escuros embutido.
Para ele, o ser humano é primitivo e não
desenvolveu uma consciência coletiva, como as formigas, por exemplo. Critica a
sociedade consumista e egoísta que observa todos os dias na rua. A Calle Larios, a principal rua para fazer compras
em Málaga, é seu ponto favorito. A arte parece estar sempre contrária ao
consumismo, pelo menos as pessoas que escolheram fazer dela uma profissão e
abriram mão de um salário fixo e possibilidade de crescer economicamente. Por
outro lado, não tem um chefe, pode estar a qualquer hora em qualquer lugar e
acredita ter sua liberdade. Já morou na Alemanha (Hamburgo por 13 anos), nos
EUA e agora na Espanha. Por isso, fala alemão, inglês e espanhol fluentemente.
Se pudesse
mandar uma mensagem às pessoas diria para elas terem mais confiança em si, que
tentem viver a vida diferente, da sua própria forma. Assim como ele mesmo
decidiu viver: sem família, sem estudos e com uma profissão incomum. Quem disse
que ele não é feliz?
Quando
comecei a entrevista ele não queria falar muito e falou sobre marcar um
horário. Estava em seu horário de trabalho e tinha muita gente ao redor. Quando
as pessoas saíram, começamos a entrevista, mas logo que voltaram ele me pediu
licença para deixar crianças sentarem ao seu lado. “Agora não da! Viu? Tem
muita gente! Estou aqui para ganhar algo!” Passou um casal com um Golden Retriever, que tentava pular no homem-jornal e seu cachorro - lembrei dos filmes americanos e suas famílias típicas com seus cachorros buscadores de jornais. Me sentei de novo e quando comecei
as perguntas sobre suas ideias de vida, ele se soltou! Tirou a sua máscara (tadinho, ele tava suando muito lá dentro), começou a criticar a
sociedade, falar sobre o Brasil, que tem 2 amigos lá, os países que já morou e
as línguas que fala. Começamos a entrevista em espanhol e terminamos misturando
alemão e inglês. Um homem culto, interessado e com muitas experiências. Tenho um novo amigo na cidade.
Curiosidade:
as muitas moedas que ele recebe são trocadas em lojas, já que elas precisam que
trocado.
Muito Bom, Camila adoro seus Post!!!!bjs
ResponderExcluirAdorei! Lembro deste homem de jornal em Malaga! Interessante saber o que se passa por trás das linhas! :)
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